Luta Mista, de volta a discussão: evolução ou retrocesso?

Luta mista do Shooto foi ação publicitária

Quem acompanha o MMA mais de perto, deve se recordar da “ação de marketing” promovida pelo evento Shotto Brasil 45, onde teríamos a primeira luta mista da história do esporte, um combate entre os atletas Juliana Velasquez e Emerson Falcão no final de 2013.

Na época do anúncio do embate misto, um mar de críticas surgiu na mídia especializada e nos mais diversos fóruns nacionais e no exterior, falando do absurdo que seria tal confronto. Entretanto, na véspera do Shooto 45, tudo restou explicado pelo promotor André Pederneiras. O malfadado duelo misto não passou de uma ação de marketing para denunciar a violência doméstica a que as mulheres estão expostas e incentivar a denúncia de tais fatos.

Cabe recordar que no extinto Rio Heroes já ocorreu um embate entre homem e mulher. Na ocasião, a hoje lutadora do Invicta FC, Ediane “Índia” Gomes derrotou o seu oponente.

Embate de cavaleiros medievais no M-1

Do outro lado do oceano Atlântico, no “velho mundo”, o evento russo M-1 Global anunciou um combate que o coloca no lado oposto ao crescimento do MMA. Com pompa e circustância, a organização russa marcou para o dia 10 de abril próximo a sua 4ª “luta medieval”, onde dois “cavaleiros” irão se enfrentar de armadura, espada, machados e tudo mais o que tem direito. Um evento, até então sério, sendo transformado em circo.

Mas voltando ao ponto central, a bizarrice dentro dos cages parece não ter fim. No último final de semana, no interior do Rio Grande do Sul, um evento promoveu um combate misto de MMA, colocando frente a frente dois atletas amadores. Sem entrar em questões técnicas que envolveram a luta, a promoção de um combate entre atletas de sexos diferentes está longe de ser uma evolução do esporte ou algo benéfico. Muito pelo contrário.

Se hoje o MMA é assistido por milhões de pessoas pela televisão é por que existem regras e um nivelamento entre os competidores. A cada vez mais, famílias comparecem aos eventos para prestigiar, torcer e acompanhar as lutas, sejam elas masculinas ou femininas, em que pese ainda restar existir uma aura de marginalidade na mente de pessoas que estão sendo apresentadas ao esporte pela vez primeira.

Imaginemos o que pode ter ocorrido na mente dessas pessoas ao se depararem com um confronto envolvendo uma mulher e um homem. Volto a repetir, não entrarei nas questões técnicas do combate, mas o que teria ocorrido se a menina fosse brutalmente golpeada? Ou um nocaute fosse aplicado e a atleta em questão ficasse desacordada e necessitasse de atendimentos médicos?

Sem querer ser o dono da verdade, regredimos ao ter combates mistos. Regredimos muito. Sinceramente, espero que tal experiência de luta mista nunca mais ocorra no Rio Grande do Sul. Ou então podemos nos considerar integrantes do “circo de horrores que ocorrem em eventos de lutas”. Quem sabe na próxima Expointer tenhamos um combate entre um touro nelore e um lutador MMA?

Recentemente, um grande órgão de imprensa no Rio Grande do Sul passou a atacar eventos amadores de Mixed Martial Arts e de Muay Thai como sendo o “submundo das lutas”. Um repórter, ávido por preencher as páginas de seu jornal, sem conhecer a realidade do esporte, sem conviver com o dia-a-dia dos atletas, promotores e todos que fazem os esportes de luta crescerem, escreveu barbaridades sobre os bastidores dos eventos.

É sabido que, para um público leigo que desconhece como se procede no mundo das lutas, tais palavras do dito repórter cairam como definitivas. Um prejuízo na imagem dos eventos de MMA e de Muay Thai que, com certeza, afastaram futuros atletas das práticas esportivas em academias e equipes sérias e voltadas para o crescimento pessoal e formação de jovens e crianças.

Imaginemos, por um segundo que seja, o que falaria tal repórter ao presenciar um possível nocaute ou uma simples derrota da atleta feminina frente a um adversário homem. Seria o fim dos eventos de lutas no Estado.

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