Márcio Miranda: “Priorizamos sempre a segurança dos atletas”.

Promotor do Circuito Amador TN POA rebate acusações de omissão de cuidados com os lutadores.

No MMA, atletas iniciantes também fazem o uso de caneleiras.

Iniciativa da Elite Produções, FGAMM (Federação Gaúcha de Artes Marciais Mistas) e Agam (Associação Gaúcha de Artes Marciais) o evento Circuito Amador foi realizado durante a manhã e a tarde do último dia 22 de novembro, na Team Nogueira Porto Alegre. O torneio contou com 23 lutas divididas entre as regras do Muay Thai e do K-1 e outras seis de MMA.

Alguns fatos, porém, ganharam a mídia de forma negativa, e os organizadores da atração foram acusados de serem omissos em relação a questões de segurança de atletas iniciantes. Um falso lutador, inclusive, foi inscrito por um jornal de Porto Alegre para tentar provar que seria possível entrar no octógono sem comprovar vínculo algum com as artes marciais. Antes da luta, porém, o atleta fake foi embora da área do evento.

Conversamos com o treinador e empresário Márcio Miranda, promotor do evento, e ouvimos dele alguns esclarecimentos.

Márcio, bom dia. Começando pela questão mais curiosa do caso. O Carlos Braga, o lutadorfake inscrito pelo jornal, iria realmente lutar se estivesse presente?

Bom dia. Ele não iria lutar se estivesse sem um treinador qualificado! Em eventos open(abertos a todas federações) sempre aparecem novas equipes, novos atletas, novos treinadores. Como eu tinha dito a ele na pesagem, acreditamos na palavra dele, um maior de idade que sabe o que faz. A tarde, faríamos um check in e repassaríamos as regras. Perguntei onde estava a equipe dele. Ele disse que viriam mais tarde. Ele estava acompanhado de um amigo, que tirava as fotos, então fiquei tranquilo, mas meio desconfiado dos dois. Eu sempre procuro conversar com os treinadores e atletas nos eventos se tenho tempo. E me programei para falar com eles mais tarde, já que não o conhecia, isso é normal. Porém, a tarde, ele sumiu e não consegui fazer o check in.

Um ponto criticado por quem acompanha artes marciais é o desnível técnico entre os competidores. Isso aconteceu no Circuito Amador e no Torneio Estímulo, também organizado por ti? Como são casadas as lutas? Qual o nível do Lindomar Silva, atleta que enfrentaria o Carlos Braga?

Nos nossos eventos um dos pontos fortes é o equilíbrio entre as lutas. Pegamos o cartel que nos é repassado, diretamente ou por meio da ficha de inscrição, e colocamos os inciantes com iniciantes, os intermediários com intermediários e experientes com experientes. Mesmo sendo amadores, isso traz equilíbrio. Jamais colocaríamos um profissional da modalidade contra um amador. No caso do Lindomar, ele nunca lutou! É estreante! O repórter se apegou no fato dele ter treinado para um evento no qual não lutou, ser cadastrado no site Sherdog e treinar na Team Nogueira. Isso não torna-o um profissional! Só mostra que o repórter é totalmente leigo no assunto. Seria uma luta de dois estreantes.

Tanto no evento da TN, como no Torneio Estímulo, foi denunciado que as ambulâncias teriam sido impedidas de sair do local com atletas machucados. Isso procede?

Jamais um promotor de eventos vai impedir uma ambulância de sair com alguém que está passando mal! Um atleta que está ali, ciente do que vai fazer, sabe que, se receber uma pancada no nariz , pode sangrar. E convenhamos que não seria motivo para ele ser removido de maca. Assim como um atleta que está muito cansado após o stress da luta ser removido de ambulância para receber atendimento no hospital. Quem define é a equipe de saúde contratada e eles são a autoridade maior no evento no que se refere a saúde dos atletas e público. O estatuto do torcedor exige uma ambulância para cada 10 mil torcedores. No nosso evento tínhamos 300 pessoas e tem gente falando que devíamos ter duas ambulancias. Como eu já disse, se tiver que parar o evento, para mesmo! As regras eram para atletas amadores, além de tudo, que são muito mais brandas que as dos profissionais.

Muay Thai: combate entre menores de idade necessitam de proteção maior.

Também foi dito que lutadores atuaram sem a devida proteção. Como funciona a definição de equipamentos de segurança para cada nível de lutador?

Não existe uma legislação em relação a isso. Temos menores que usam coletes em alguns torneios e em outros não. Tudo depende do órgão máximo na qual são filiadas as entidades que chancelam o evento. Priorizamos sempre a segurança dos atletas e, antes deles lutarem, o juiz faz o check list do equipamento e verifica se o atleta está com treinador e ajudante no córner.

Quais as diferenças nas regras para Muay Thai e MMA para lutadores profissionais e amadores?

Iniciantes lutam com iniciantes e com total proteção. Intermediarios também. Os mais experientes podem lutar sem capacete e de caneleira. Cotoveleiras se a regra permitir. O tempo dos rounds eram de 1 minuto e 30 segundos e de 2 minutos. Bem menos que a regra dos profissionais, onde são rounds de 5 minutos no MMA profissional e 3 minutos no Muay Thai e no K-1 profissional. Essa situação foi abordada na matéria e criticada, mas mostra a falta de conhecimento dos repórteres que nunca perguntaram como funcionava um torneio de atletas amadores de artes marciais. Inclusive disseram que um dos atletas não tinha coquilha (protetor genital). Este cara deve ter visão de raio X. Só o juiz tem como saber isso antes do combate. Os profissionais lutam por dinheiro como todos sabem, por bolsa. As regras priorizam o nocaute ou finalizações. O tempo dos rounds é maior e no caso do MMA pode ter até três córners (treinadores). São lutas para o público, um show business como o UFC e outros eventos. As regras no MMA amador são muito mais brandas. Tanto em pé como no solo, são probídas as cotoveladas e as joelhadas na cabeça. Se um atleta começa a sangrar com maior volume, a luta é interrompida definitivamente. Para que um lutador seja considerado nocauteado, ele precisa receber muito menos golpes. No profissional, o árbitro central deixa a luta seguir mais, pois sabe da capacidade de recuperação e absorção de golpes de um atleta de alto nível. Se um competidor amador parte para o ground-and-pound (quando um atleta está golpeando o outro no chão, por cima), por exemplo, o árbitro interfere rapidamente, não permitindo que o atleta de baixo seja muito castigado.

Fonte: Sul MMA

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