Especialista em MMA, médico avisa que só sangramento interno preocupa

O combate entre o brasiliense Luciano Palhano e o pernambucano Roniele “Blindado” pela categoria peso leve no último Coliseu Extreme Fight, em Arapiraca, chamou a atenção do público. Logo no primeiro round, os intensos golpes desferidos pelos atletas ocasionaram em sangramentos tanto em um, quanto em outro, deixando o chão do octógono parcialmente avermelhado. A cena gerou, além da grande repercussão, a curiosidade do público: em casos como esses, os atletas de MMA correm o risco de ter problemas mais sérios de saúde?

Muito sangue no combate entre Siver e Wiman (Foto: Divulgação UFC)

Muito sangue nos combates de MMA assusta, mas não é considerado grave (Foto: Divulgação UFC)

Para tirar as dúvidas sobre o assunto, a reportagem do GloboEsporte.com conversou com o médico alagoano Álvaro Bulhões, que acompanha atletas das artes marciais mistas há dois anos. Também lutador, ele afirmou que são raros os casos em que o sangramento aparente traga problemas mais graves. O risco só aparece quando os golpes causam hemorragias internas.

– Em grandes sangramentos, o maior risco é que haja o que chamamos de choque hipovolêmico [caracterizado pela perda de grandes quantidades de sangue e líquidos, o que pode levar à morte em poucos minutos]. Mas esse tipo de coisa é muito improvável de acontecer em casos como a luta entre o Blindado e o Palhano. Em golpes mais fortes na região do abdômen, alguns órgãos podem ser afetados, e causar hemorragias internas. O perigo é quando ocorre esses sangramentos – explica.

Segundo Bulhões, os riscos mais comuns neste tipo de caso, quando o sangue fica espalhado no rosto e no corpo do lutador, e também no palco da luta, são os de transmissão de doenças infectocontagiosas.

– Os lutadores precisam passar por uma série de testes sorológicos para que sejam averiguadas essas condições. Sangramentos são comuns em esportes como o MMA, onde o contato físico é intenso. Mas todos os lutadores entram no ringue sabendo dos riscos. Tanto que, desde o início, eles aprendem primeiro a defender para depois golpear – lembra.

“Riscos não podem ser desprezados”

Equipe MMA Trainer (Foto: Dennis Calheiros)

Álvaro Bulhões atenta para as lesões na região da cabeça (Foto: Dennis Calheiros)

Álvaro também afirma que, em longo prazo, há riscos de sequelas para qualquer lutador, do boxe ao MMA, tendo em vista a intensidade dos golpes que são recebidos em regiões vitais do corpo, principalmente a cabeça.

– Para o futuro, além de lesões na coluna, nas articulações, o maior risco é mal de Parkinson. Uma associação de microtraumas podem levar ao Parkinson, o exemplo maior disso é o do lutador de boxe Muhammad Ali. Um trauma crânio encefálico, por exemplo, e até um estrangulamento podem ser fatais. Por isso, é importante ter um acompanhamento médico e que o árbitro pare a luta quando um competidor estiver vencido. Os riscos do MMA são parecidos com os apresentados em outras lutas e nos esportes radicais, mas não podem ser desprezados – conclui o médico.

*Henrique Pereira colaborou sob supervisão de Victor Mélo.

FONTE: GloboEsporte.com

*Maceió-AL

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