Em carta aberta, Carlão Barreto explica polêmica envolvendo a Seleção de MMA Amador

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Carlão fala sobre situação de brasileiros no Mundial de MMA Amador

Ex-lutador e comentarista dos canais Sportv e Combate, Carlão Barreto explicou em carta aberta todas as polêmicas que envolveram a ida da delegação brasileira para a primeira Copa do Mundo de MMA Amador, disputada na última semana em Las Vegas (EUA), durante a Fight Week. Previamente, a equipe seria formada por oito atletas masculinos, todos campeões da seletiva nacional, realizada no último mês de maio, e mais duas atletas convidadas. Porém, problemas com o consulado norte-americano inviabilizaram a entrada dos lutadores no país.

“Contratamos uma empresa especializada para facilitar o processo de obtenção dos vistos, fizemos tudo que nos foi solicitado. Porém, fomos pegos de surpresa pela negativa dos vistos. Fizemos todos os protocolos novamente, solicitamos novas cartas da IMMAF e auxiliamos os atletas na postura diante dos agentes consulares. Tivemos que viajar para São Paulo para que desse tempo de embarcarmos dentro dos prazos possíveis, e que fossem cumpridos todos os protocolos da competição, mas novamente os vistos foram negados. Sinceramente, a revolta tomou conta do meu coração, não entendi como isso poderia ter ocorrido, principalmente porque na maioria das vezes os vistos foram negados sem ao menos os documentos que comprovavam a viagem tivessem sido lidos, um ultraje”, disse Carlão.

Sensibilizado pela situação dos atletas, Carlão Barreto preferiu não viajar para o Copa do Mundo de MMA Amador e afirmou que a competição perdeu qualidade sem a presença da delegação brasileira. O comentarista também parabenizou Amanda Ribas, que conquistou o título do Mundial na categoria feminina até 56,6 kg.

“Peço desculpas aos atletas, mas vocês sabem que fiz o meu melhor e tudo que estava ao meu alcance. Não fui para Las Vegas acompanhar as atletas femininas no mundial, não por não acreditar nelas, claro que não. Não fui em solidariedade aos guerreiros que deram seus sangue e suor nos cages para realizarem o sonho de fazerem parte dessa seleção. Como os meninos não puderam viajar, então preferi ficar no Brasil. Porque um comandante jamais abandona seu navio. Tenho certeza que essa seleção iria fazer barulho em Las Vegas e que esse Campeonato Mundial perdeu força sem a presença deles. Também quero parabenizar a Amanda Ribas pela brilhante conquista no Mundial”.

O ex-atleta do UFC, que também era Diretor do Comitê Amador na CABMMA, optou por seguir outros caminhos e entregou seu cargo na Comissão Atlética Brasileira.

“Abro mão do meu cargo de Diretor do Comitê Amador na CABMMA por acreditar que minha contribuição foi feita e que agora tenho que seguir outros caminhos de forma independente, evitando qualquer tipo de conflito de interesses. Agradeço a CABMMA pelo apoio e parabenizo pelo propósito de ajudar ao MMA nacional a crescer e aparecer não apenas com nossos atletas, mas também fazendo que nossos eventos sigam os padrões internacionais”, concluiu.

Confira a carta aberta na íntegra:

Nos últimos oito meses me dediquei de corpo e alma ao projeto de criação da primeira Seleção Brasileira de MMA Amador, trabalhei para que uma lacuna fosse preenchida e que o MMA amador pudesse ser uma ponte entre a modalidades de lutas e a realidade do MMA profissional. Sempre fiquei incomodado em ver lutadores renomados em suas respectivas artes marciais migrarem para o MMA sem o preparo adequado e seus talentos escoarem ralo abaixo. 

Quando os mandatários da CABMMA me apresentaram o projeto da 1ª Copa do mundo da modalidade, fiquei super feliz, pois vinha de encontro com minhas ideias em relação ao futuro do esporte. O MMA talvez seja o único esporte que não tem uma divisão de base, com boa estrutura, regras definidas, etc. Alguns promotores querem apenas organizar eventos baratos, não pagando bolsa aos atletas e classificando o campeonato como amador. Não concordo com isso, vejo que a modalidade amadora pode ser o melhor preparo para um lutador entender a dinâmica do circuito profissional, para um treinador ter um termômetro se aquele lutador tem ou não condições de se “profissionalizar”. 

Dito isso, fui a procura de apoiadores, tentei criar uma estrutura para que o projeto saísse do papel e efetivamente pudéssemos obter êxito. Como fui atleta e senti na pele as dificuldades de se viver de esporte no Brasil, não achei justo montar uma equipe baseada em contatos, então criei o modelo de competição na forma de seletivas, onde buscaríamos os melhores lutadores amadores brasileiros de cada região do país e os classificaríamos para uma seletiva nacional. Os campeões nas oito categorias seriam a Seleção Brasileira de MMA Amador, uma seleção legítima, sem indicações e privilégios. O atleta ganharia sua vaga no cage, dentro das regras, com seu talento e raça.

Como a Comissão Atlética brasileira não tem como objetivo organizar eventos e sim protocolá-los, fui atrás de promotores de eventos que já tivessem experiência comprovada. Procurei parceiros em cada região, onde esses promotores/parceiros poderiam obter os patrocínios que quisessem sem repassar para a Comissão. Nossa função era apenas a supervisão técnica de cada seletiva e dessa forma não haveria conflito com missão da CABMMA. Quero aproveitar para agradecer aos promotores de eventos que acreditaram na proposta e realizaram as seletivas regionais e nacional. Meus sinceros agradecimentos pelo apoio de vocês e parabéns pelo trabalho na realização de cada etapa!

Tínhamos um projeto muito bem montado, sendo inclusive usado, como exemplo, pelo órgão organizador da Copa do mundo de MMA Amador (IMMAF) para que outras federações internacionais seguissem nosso trabalho. Durante o processo tivemos vários problemas que quase inviabilizaram o projeto, mas, com muita vontade e desejo de acertar, fomos em frente. Na reta final, um dos patrocinadores em potencial saiu do projeto e outro teve a audácia de dizer que só apoiaria caso os atletas obtivessem êxito no mundial, ou seja, só querem apoiar depois que o atleta vence, mas transformá-lo em campeão poucos realmente ajudam (triste realidade desse país). Com muita luta tivemos que refazer todo o projeto para que este se concretizasse, ficamos praticamente sozinhos nessa batalha, mas não deixamos que isso vazasse e colocasse tudo que fizemos em descrédito. Fomos obrigados a não realizar a seletiva feminina por falta de recursos, pois não teríamos condições financeiras de arcar com mais custos. 

Algumas atletas femininas me procuraram dizendo que gostariam muito de participar e tinham patrocinadores que cobririam seus custos caso fossem convocadas, foi quando me sensibilizei com a vontade delas de competir e convoquei aquelas que tinham um bom currículo e patrocinadores que as ajudassem a viabilizar a viagem. Então passamos a dar todo o suporte que estava ao nosso alcance. 

Nosso tempo era curto, pois tínhamos um cronograma apertado para organizarmos a viagem, mas mesmo assim toda a equipe da CABMMA envolvida fez o seu melhor. Ficamos dias e dias atrás dos lutadores para que estes nos enviassem os documentos, os ajudando a preencher os formulários que a cada dia a organizadora do evento (IMMAF) nos enviava. Inclusive, quero agradecer ao Jonas Carneiro, que atuou junto comigo no Comitê Amador, fazendo um ótimo trabalho e de forma incansável.

Contratamos uma empresa especializada para facilitar o processo de obtenção dos vistos, fizemos tudo que nos foi solicitado para nada dar errado e podermos chegar com alguns dias de antecedência nos EUA, onde os atletas poderiam se adaptar de forma mais apropriada para a competição. Porém, fomos pegos de surpresa pela negativa dos vistos e ficamos atordoados com esse knockdown, mas não vencidos. Fizemos todos os protocolos novamente, solicitamos novas cartas da IMMAF e auxiliamos os atletas na postura diante dos agentes consulares. Tivemos que viajar para São Paulo para que desse tempo de embarcarmos dentro dos prazos possíveis, e que fossem cumpridos os protocolos da competição, mas novamente os vistos foram negados. Sinceramente, a revolta tomou conta do meu coração, não entendi como isso poderia ter ocorrido, principalmente porque na maioria das vezes os vistos foram negados sem ao menos os documentos que comprovavam a viagem tivessem sido lidos, um ultraje!

Depois, com calma, conversando com pessoas que trabalham com isso, pude entender o corrido. Os atletas estavam no grupo de alto risco devido à idade e aos poucos laços com o Brasil. Porém, o que ainda me deixa indignado, é o fato de não terem ouvido nossos argumentos e lido os documentos. Simplesmente negarem o direito desses meninos de sonharem com o tão almejado título mundial.

Todos esses atletas são o que de melhor nosso país tem na modalidade amadora, lutadores de alto gabarito e de muita qualidade técnica e física. Quem esteve nas dependências da casa de shows Rio Sampa pôde conferir isso. Todos os classificados em suas respectivas regiões deram show! Os 16 classificados para a grande final competiram em um evento de alta qualidade, que muito profissional não teve a oportunidade de lutar, inclusive, gostaria de parabenizar o promotor Antônio Tolentino pelo excelente evento realizado.

Os atletas Lucas Alves (mosca), Clécio da Silva (galo), Lorran Esteves (pena), Ueslei Alves (leve), Adenes da Conceição (meio-médio), Quemuel Ottoni (médio), André Luiz Ramos (meio-pesado) e Flávio da Silva (pesado), estão prontos para lutar em qualquer evento nacional, inclusive, uso essa carta, para que os promotores de eventos entrem em contato com esses lutadores para colocá-los em seus eventos. Tenho certeza que veremos alguns desses lutadores em pouco tempo em grandes eventos internacionais. Podem apostar nisso! Tenho certeza que essa seleção iria fazer barulho em Las Vegas e que esse Campeonato Mundial perdeu força sem a presença deles. Também quero parabenizar a Amanda Ribas pela brilhante conquista no Mundial. Ela é uma menina muito talentosa e que tem tudo para ser uma das grandes estrelas do esporte no futuro.

Não posso deixar de agradecer as empresas e seus respectivos proprietários, que fizeram a diferença nos apoiando. Agradeço imensamente ao Sérgio, da Idea Nutrition, Marcão e Anair, da Dog Patrol, e Fabrício e Rodrigo, da NP protetores bucais, pelo suporte dado.

Sempre trabalhei duro em prol do MMA, sendo correto em minhas decisões. Nunca prejudiquei ninguém, muito pelo contrário, já ajudei muitos lutadores sem pedir nada em troca. Não sou empresário de atletas, sou um apaixonado pelo esporte. Graças a Deus, pude trabalhar em diversas frentes, o que meu deu conhecimento diferenciado do mercado, nada que me faça melhor que os outros, apenas acredito no MMA. Sei que ainda teremos um esporte sólido, no qual muitas famílias direta e indiretamente poderão tirar seu sustendo de forma honesta. Só não admito que gente mal intencionada, que nunca fez nada pelo esporte, fique disseminando inverdades, destilando seu veneno, escondido por trás de meias palavras e fofocas. Pessoas que chegaram a questionar a necessidade dos exames médicos. Isso é atitude de gente que quer o melhor para o esporte? 

Apenas para ficar registrado, tivemos dois exames que apresentavam problemas cerebrais em atletas, e esses competidores foram informados, podendo procurar ajuda médica, evitando danos maiores as suas vidas. Será que era melhor não pedir os exames e um atleta morresse? Obvio que não! Então vamos abrir as mentes e entender que o MMA precisa de protocolos e esses protocolos servem para proteger as estrelas do show.

Me coloco na frente do campo de batalha e não fujo de minhas responsabilidades. Lutei e continuarei lutando por um MMA mais justo, um esporte melhor estruturado, sempre colocando a mão na massa. Trabalho dia após dia por objetivos maiores, onde as vaidades e interesses pessoais não tem espaço.

Peço desculpas aos atletas, mas vocês sabem que fiz o meu melhor e tudo que estava ao meu alcance. Não fui para Las Vegas acompanhar as atletas femininas no mundial, não por não acreditar nelas, claro que não. Não fui em solidariedade aos guerreiros que deram seus sangue e suor nos cages para realizarem o sonho de fazerem parte dessa seleção. Se os meninos não puderam viajar, então preferi ficar no Brasil. Porque um comandante jamais abandona seu navio.

Abro mão do meu cargo de Diretor do Comitê Amador na CABMMA por acreditar que minha contribuição foi feita e que agora tenho que seguir outros caminhos de forma independente, evitando qualquer tipo de conflito de interesses. Agradeço a CABMMA pelo apoio e parabenizo pelo propósito de ajudar ao MMA nacional a crescer e aparecer não apenas com nossos atletas, mas também fazendo que nossos eventos sigam os padrões internacionais.

Desejo muito sucesso a todos os atletas, caso julguem que poderei ajudá-los em qualquer coisa, só entrarem em contato comigo, estando ao meu alcance, farei o possível para vê-los felizes com suas escolhas.

Espero ter sido claro em minhas colocações, não deixando dúvidas quanto ao nosso empenho e dedicação ao projeto.

Cordialmente agradeço aos amigos e fãs do esporte!

Fiquem com Deus!

Carlão Barreto. 

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