Ex-lutador Nate Quarry revela o “lado obscuro” do UFC

Quarry é atingido por Franklin no UFC 56(Foto: Divulgação/UFC)

O ex-peso médio Nate Quarry publicou uma declaração no fórum “MMA Underground” em que detalhou as dificuldades que os lutadores do Ultimate Fighting Champioship enfrentam para obter melhores pagamentos de bolsa e patrocínios. O lutador revelou que recebeu apenas dez mil dólares pela disputa de cinturão contra Rich Franklin no UFC 56: “Nenhum centavo a mais, bônus ou participação no pay-per-view”, escreveu.

Nate lembra a organização lhe disse que não poderiam pagar muito mas que ele poderia ter quaisquer patrocinadores que quisesse, o que em um primeiro momento parecia ser um bom negócio, mas também foi informado de que o UFC precisaria aprová-los, que não poderiam ser patrocínios conflitantes e que ele não poderia agradecê-los após as lutas.

Quarry complementou que o Ultimate não aprovaria patrocinadores dos quais eles não gostassem dos produtos e que cobraria taxas de cinquenta e cem mil dólares pelo prazer de patrocinar o atleta, o que nas entrelinhas significa que a companhia ganharia mais do que o próprio patrocinado.

“Na UFC Summit”, Nate Quarry prosseguiu, “um lutador perguntou se ele poderia vestir a sua própria camiseta. Dana sorriu e disse: Nós podemos conversar sobre isso. Eu perguntei a um advogado do UFC se poderia vestir a minha própria camiseta, e ele falou: “Com certeza, dê-me US 50,000 e nós conversaremos sobre isso”.

“As pessoas não têm ideia de fora sobre como é lutar para o UFC. Após passar 10-15 anos perseguindo somente o seu sonho para ver que a companhia não se importa em nada com os lutadores e apenas dá importância ao lucro final”, acresceu.

Nate Quarry mencionou que os lutadores recebiam iPods de presente no natal e que agora os lutadores recebem certificados para serem usados nas lojas do UFC em um único dia e que qualquer quantia que não for gasta será perdida, e também escreveu que os atletas podem usar a academia do hotel onde estiverem instalados gratuitamente, mas os membros córner têm de pagar para ter acesso.

“Eu estava ajudando o [Chris] Leben a bater o peso no dia da pesagem e tive de pagar para ir a sauna com ele. O UFC não poderia dizer: O lutador pode levar três pessoas com ele para a academia na semana da luta? É questão de níquel, de centavos”, criticou. “Com tão pouco, eles tentam expulsar os lutadores e as outras organizações se parecerão mais atrativas”.

Apesar do franco – e por que não dizer constrangedor relato – Nate é muito grato por ter lutado pelo UFC, onde obteve tudo o que possui [com exceção da filha] graças à luta, mas ele não se engana, e muito menos quer enganar os demais competidores. “Não é caridade, é um negócio, e eles estão fazendo tudo o que podem para ganhar mais dinheiro. Os lutadores são apenas produtos para usar e descartar. Cada lutador emergente é o melhor de todos os tempos. Cada ex-lutador que então expressa uma opinião é um covarde, perdedor, etc, etc”.

No combate em que foi superado por Rich Franklin, o narrador diz que só a bilheteria do evento faturou três milhões e meio de dólares – a terceira maior da história do UFC na época. “E eles devem ser amado a luta porque eles mostram o soco final no início de todo UFC no pay-per-view”, comentou.

“E está tudo bem porque é um negócio”, continuou. “Mas cedo ou tarde, a sedução de lutar no UFC não será tão atrativa quanto lutar por uma organização que cuida de você, preza por você, permite que tenha patrocinadores para ajudá-lo a aumentar a renda e não te joga fora quando você pensa em si mesmo, e assim por diante”.

Quando já estava aposentado, Quarry revelou que recebeu uma carta por e-mail que dizia que, se ele decidisse voltar a lutar de novo, ele ainda estava contratado pelo UFC e comentou que não recebeu nem mesmo uma cópia com assinatura real para colocar em uma moldura.

“Como disse, eu amo o que o UFC fez por mim e minha família e especificamente o que o Dana White fez por mim, mas eu também sei que é um negócio e esse é o melhor conselho que posso dar a quem quer ser lutador. Lute pelo amor pelo jogo, mas é melhor tratar isso como um negócio, porque o promotor certamente tratará”, concluiu.

Fonte: Blog Mano a Mano

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