Anderson Silva fará falta aos noticiários do MMA

Por Eduardo Cruz – Blog Mano a Mano/Terra Magazine

Para quem trabalha com o MMA, o lutador é um companheiro de profissão que atua em departamento diferente. Ele, no ringue, e eu na redação, como tantos outros colegas da imprensa.

É sobre as atuações desse atleta que produzimos material, seja em forma de entrevista, artigo, opinião, crítica. O cara que dá o show é o alvo principal, pois sem o suor dos treinos dele, da dedicação e renúncia a família e amigos, não haveria reportagens.

O Anderson Silva, há pouco mais de sete anos, está no topo da categoria peso médio do maior evento do mundo, o UFC, onde se notabilizou pelas performances espetaculares contra oponentes gabaritados [outros nem tanto] sempre demonstrando supremacia.

Ele divide opiniões, como qualquer ícone esportivo, da política, religião… Como lutador, indiscutivelmente é um dos mais talentosos e imprevisíveis que já atuou nesse esporte que tanto admiramos; Como pessoa, é imperfeito como aqueles que o julgam fora do octógono.

As matérias do “Spider” chamam a atenção dos fãs, dos haters e de novos admiradores das artes marciais mistas. Quem o venera se dispõe a defendê-lo como um amigo próximo; Os que o odeiam torcem contra mas acabam reconhecendo sua grande quando vence; E esse pessoal que o conheceu há pouco tempo busca informação embarcar no grupo de fãs ou de detratores.

Costumo dizer que torço por lutas e não por lutadores. Tive a oportunidade de ver surgirem mitos e caírem lendas ao longo dos muitos anos que escrevo e acompanho essa competição genuína entre homens [e agora mulheres] que fazem tudo para superar limites.

O Anderson eu vi lutar no Pride, no Cage Rage e por fim no Ultimate. Testemunhei sua ascensão meteórica, repleta de nocautes e finalizações até o reconhecimento em um País onde os fãs hardcores já o acompanhavam por meio de streams, programas de transmissão que grande parte do público atual desconhece.

Acompanhei as duas vitórias sobre Rich Franklin, os duelos contra Dan Henderson e Vitor Belfort, e, claro, as duas lutas históricas contra Chael P. Sonnen – o maior rival de sua trajetória vencedora no cage.

Nesta madrugada, também assisti ao vivo a cena mais trágica dos últimos anos. Ao desferir um chute na perna do campeão Chris Weidman, o desafiante brasileiro quebrou a tíbua e a fíbula quando o americano bloqueou o golpe.

“The Spider” caiu, mas não caiu como no dia 6 de julho, quando foi nocauteado pelo mesmo Weidman. Foi ao chão em um lance em que poderia ter definido a luta a seu favor, mas quis o destino que o joelho de Weidman fosse mais resistente que os ossos da perna esquerda do atleta da X-Gym.

Imobilizado em uma maca e berrando de dor, o maior lutador até 84kg de todos os tempos foi levado ao hospital, onde passou por cirurgia bem sucedida, graças a Deus. Entre hoje e amanhã ele estará de alta médica e se juntará à esposa e aos cinco filhos queridos.

Seu retorno às atividades físicas deverá ocorrer entre três e seis meses, mas neste momento, em que Anderson pede privacidade, ele não quer falar sobre o futuro, quer apenas descansar e curtir a família em mais uma virada de ano.

Nos próximos dias presenciaremos inúmeras especulações sobre a volta do astro do octógono. O contrato com o UFC ainda prevê oito lutas, e até o acidente de trabalho, ele sonhava com uma luta nas regras do boxe contra o veterano Roy Jones Jr.

Eu farei parte de um grupo de pessoas que, primeiramente, torcerá pela plena recuperação da perna fraturada para que o cidadão paulista – e por que não dizer do mundo – volte a se locomover sem sequela.

Que o Spider poderá retornar ao octógono eu não tenho dúvida. José “Pelé” Landi-Jons sofreu fratura muito parecida e venceu quatro lutas consecutivas após apenas um ano e quatro meses do incidente ocorrido em Montreal, Canadá.

E se Andy optar por não lutar mais, caberá a nós respeitarmos sua decisão e agradecê-lo por tantos momentos geniais nos ringues de todo o mundo. Aos 38 anos, milionário, com quatro cinturões de organizações diferentes, nada há que ser provado. Feliz são os que o viram luta. Se tivermos nova oportunidade de vê-lo com saúde em atividade, será ainda melhor.

Até breve, A.Silva!
Eduardo Cruz

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